Araguari Places
por Estado de Minas
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais anunciou que vai tomar a frente da investigação sobre a morte da escrivã Rafaela Drumond, de 31 anos, que tirou a própria vida em 9 de junho, na casa de seus pais no distrito de Antônio Carlos, na Região do Campo das Vertentes. Ela trabalhava em uma delegacia em Carandaí e, dias antes do fato, enviou áudios para a família relatando situações de abuso e assédio por parte de colegas. 
Tanto o celular de Rafaela, quanto os vídeos enviados por ela aos amigos, começaram a ser periciados pela Polícia Civil. Mas, nesta quinta-feira (22/6), a corporação informou que a Corregedoria-Geral assumiu, “de forma exclusiva”, a presidência do inquérito policial e do procedimento de investigação disciplinar do caso. “A PCMG reforça que as investigações continuarão sendo conduzidas de maneira isenta e imparcial.”

Nos áudios obtidos pela investigação, Rafaela relata situações de assédio moral e sexual, perseguição, boicote e até uma tentativa de agressão física por parte de um colega de trabalho. Em uma das mensagens, ela explica que não queria tomar providências em relação aos fatos por medo. 

“Não quis tomar providência porque ia me expor. Isso é Carandaí, cidade pequena. Com certeza ia se voltar contra quem? Contra a mulher. Eu deixei, prefiro abafar. Eu só não quero olhar na cara desse boçal nunca mais”, narra. 

Em outra gravação, a escrivã disse estar cansada dos episódios, que se mostravam recorrentes. Os áudios teriam sido enviados em fevereiro, quatro meses antes da morte de Rafaela. “Eu nem contei para vocês, porque, sabe, umas coisas que me desgastam. Quanto mais eu falo, mais a energia volta. Fiquei calada. Fiquei quieta, na minha, achando que as coisas iriam melhorar. Eu não incomodo muita gente, mas, enfim, agora chega.”

Assédio moral 

Logo após perderem a filha, os pais de Rafaela usaram as redes sociais para expor a situação que a filha vivia na delegacia de Carandaí. Nas publicações, Zuraide Drumond, de 57 anos, pai da jovem, afirmou que o delegado da unidade sempre a descredibilizava e a chamava de “louca”. 

“Teve uma vez que ela sofreu assédio sexual por um colega. O homem se inconformou por Rafaela não querer ter tido algo com ele durante uma confraternização e virou bebidas, além de uma mesa sobre ela. Na época, ela comunicou o fato para o delegado que respondeu: ''quer que eu faça o quê?', escreveu.
Para a família, a morte da servidora da Polícia Civil, lotada em Carandaí, na Zona da Mata mineira, acende um alerta sobre situações vividas pelos profissionais da segurança pública. De acordo com a mãe, a escrivã sempre se dedicou aos estudos e tinha o sonho de se tornar delegada. 

“O sonho começou a tomar forma com ela ocupando o cargo de escrivã, mas uma mudança no comando da delegacia de Carandaí fez com que tudo mudasse”, afirmam os familiares.

Ainda segundo os parentes, Rafaela tentou transferência de cidade, por não aguentar mais as situações sofridas, mas o trâmite não chegou a acontecer. “O delegado falava diretamente que não sabia como ela havia passado na Polícia Civil, pois era desequilibrada e louca”, escreveram.

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